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Por: Luís Perez às 19h34

O dia em que bati um Jaguar em Interlagos

Perdi a traseira do XF no final da reta dos boxes, o carro bateu no muro e o airbag disparou – tudo em “câmera lenta”

Na noite da última quarta, dia 28, senti um mau jeito nas costas. Às 9h do dia seguinte, no entanto, tinha um compromisso no autódromo de Interlagos: conferir o lançamento do Jaguar F-Type Coupé, apresentado à imprensa no primeiro dia do Fast Drive Jaguar Land Rover 2014, evento que reúne por quatro dias convidados e clientes em potencial para uma série de experiências com as marcas. Na manhã de quinta-feira, dia 29, cheguei a enviar um torpedo ao pessoal da assessoria da Jaguar, avisando de que estava com muita dor, mas que tentaria ir, ainda que atrasasse.

Fui, ainda sem saber que me tornaria o assunto do evento. Cheguei em tempo de pegar a apresentação e o briefing. Hora de ir para a pista. A atração do dia seria o F-Type Coupé V8, mas minha volta estava agendada para as 16h12. Jornalistas de fora de São Paulo andariam antes, pois tinham voos para pegar. Enquanto isso poderíamos nos divertir com outros modelos à disposição. Como teria quase o dia inteiro, resolvi dar uma volta no Jaguar XF, justamente por não ser dos mais concorridos para test-drive. Cada jornalista tinha direito a duas voltas na pista, toda marcada por cones – vermelhos para frear, brancos para iniciar a tomada de curva e azuis para tangenciá-las. Mais claro, impossível. A meu lado, iria um instrutor.

Já perdi a conta de quantas vezes andei em Interlagos, com os mais diferentes modelos. Cheguei a comentar com o instrutor que, com a parafernália eletrônica de um carro como aquele, era quase impossível que ocorresse qualquer imprevisto. Corria tudo bem, até o momento de abrir a segunda volta. Ao iniciar a freada pouco antes do final da reta dos boxes, o XF simplesmente escapou de traseira e rodou.

O Jaguar XF logo após a batida em Interlagos

Agora vou contar o que muitos me perguntam, que são as sensações em um acidente como esse: não, nesse momento não se lembram de muitos detalhes. Pela cabeça passa algo na linha “Como isso está acontecendo?”. Simplesmente viramos passageiros no carro, que na hora parecia (acredite!) rodar em câmera lenta. Deu até tempo de pensar desde um “Vai bater, só resta saber como” até um “Ah, talvez só rode e não bata!”. Mas bateu. Bateu de frente, no muro que separa a pista do pit lane. Não chapado, bateu girando, a ponto de o carro ir parar no início do “S” do Senna. Com desaceleração suficiente para abrir os airbags.

Segue então o testemunhal que nem todo jornalista automotivo pode dar: sim, o airbag é fundamental, muito embora eu ache que não iria bater a cabeça no volante pelo fato de a batida não ter sido em linha reta. Saí sem um único arranhão sequer. Apenas queimaduras leves nas mãos provocadas pelo gás do airbag. Aliás, de longe algumas pessoas viram muita fumaça. Minha primeira reação depois de bater foi abrir os vidros para deixar a fumaça sair. A segunda foi perguntar ao instrutor se estava tudo bem com ele e tentar ligar o carro. Não ligava. Melhor assim. Saí do carro e fiz algumas fotos. Nunca tinha batido e aberto um airbag. Precisava registrar o momento. Saco o celular e já há ligações não atendidas e mensagens no Whatsapp perguntando se eu não havia me machucado. Que povo rápido! Nos minutos que seguiram após a pancada, até minha dor nas costas sumiu. Só voltou horas mais tarde, quando a adrenalina baixou.

Claro que nessa hora um misto de constrangimento e vergonha toma conta de você. Mas veja bem: eu não havia feito nenhum movimento brusco ou imprudente que a meu ver provocasse essa perda de controle. Não era a primeira vez que passava pela reta dos boxes para frear e contornar o “S” do Senna. Só que havia uma conjunção de condições desfavoráveis: os pneus ainda estavam frios, o asfalto estava um sabão (comprovei isso ao sair do carro para voltar a pé para os boxes) e depois me disseram que provavelmente haveria até óleo na pista. Difícil saber agora. Importante é que depois o sol abriu, a pista secou e a aderência ficou muito melhor.

Todo o pessoal da Jaguar foi show ao entender que na profissão estamos sujeitos a acidentes desse tipo – o dia todo ouvi variações de “Isso acontece”, “Estamos em um autódromo” e “Importante é você estar bem”, o que é (mesmo) reconfortante. Se isso não fosse uma verdade, nenhum evento automobilístico teria ambulância e equipe de resgate. Sim, apesar do ocorrido, estávamos em um carro muito seguro e em um ambiente controlado, que não permitia a nenhum outro veículo se envolver no acidente.

Insinuações? Brincadeiras? Gozações? Claro que ouvi e vou continuar ouvindo. Obviamente não desejo mal a ninguém, mas acho que nesse ponto todos têm telhado de vidro – qualquer um de nós está sujeito a um acidente do gênero. Portanto é no mínimo saudável pensar duas vezes antes de condenar alguém. Ah, só mais um detalhe. O carro bateu, o airbag abriu e nem havia parado de rodar e a primeira imagem que veio à minha cabeça nessa hora foi a da pequena Júlia. Minutos depois, ela ligava no meu celular e perguntava: “Você se machucou, papai?”.

Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia. Imprensa Automotiva

Por: Luís Perez às 13h05

Site dá susto e diz que up! custa a partir de R$ 39.390

Não, o preço inicial do Volkswagen up! não mudou. Mas quem entra no configurador (famoso “monte seu carro”) na internet toma um susto. O valor que aparece como preço inicial é de R$ 39.390 – preço das versões red, black e white. Passando o cursor sobre a tela, tudo volta ao normal. Os preços de entrada não mudaram. Continuam sendo R$ 26.900 para a carroceria duas portas e R$ 28.900 para a quatro portas.

Preço que aparece quando se entra no configurador do up!

Por: Luís Perez às 14h48

Chego ao pedágio e estou "liso". E agora!?

Dia desses peguei a rodovia Castello Branco em direção a Alphaville. Ao chegar à praça de pedágio de Osasco (SP), no km 18, notei que não tinha os R$ 3,30 (!) para pagar. Tampouco tinha folha de cheque (a concessionária só aceita pagamento em dinheiro ou cheque). O que fazer? "Ah, pare ali adiante, que um funcionário vai orientá-lo", disse a atendente.

As instruções consistiam em enviar um e-mail para evasoes.viaoeste@grupoccr.com.br relatando o fato, fornecendo marca, modelo, cor e placa do carro. Recebo a resposta. Para não caracterizar evasão de pedágio (infração grave, multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira), tenho cinco dias para voltar à praça de pedágio (vou ter de desembolsar no mínimo mais R$ 6,60, ida e volta...), avisar sobre o ocorrido fornecendo a placa e aí sim, pagar o pedágio "atrasado".

Detalhe: quem comete esse tipo de erro não tem direito a reincidência, pois a placa fica registrada na concessionária CCR ViaOeste. Ah, não é preciso voltar com o carro (pode ser com outro carro ou até de moto...), nem ser a própria pessoa. Ou seja, se tiver um amigo que vai passar pelo pedágio, ele pode pagar para você, fornecendo a placa.

Bom saber.

Por: Luís Perez às 13h11

Está difícil a vida da JAC

Não está mesmo nada fácil a vida da JAC Motors Brasil. Dificuldades de financiamento no BNDES, morosidade nas licenças e equipamentos muito mais caros se comprados aqui do que se importados da Coreia do Sul estão fazendo com que a previsão de inauguração da fábrica de Camaçari (BA) passe do final deste ano para meados de 2015. Mais detalhes aqui.

Por: Luís Perez às 14h02

Segurança relativa

Nem sempre o estacionamento é o lugar mais seguro para parar um carro, de teste ou não

Dia desses a simples postagem de uma foto pelo Eduardo Pincigher no Facebook foi suficiente para iniciar uma discussão. Era a placa de um estacionamento indicando que o preço único para deixar o carro lá era de R$ 20. Em sua postagem, dizia: “E daí que o carro não é meu? Cuido como se fosse...”. Claro que ele quer dizer que um automóvel guardado na segurança de um estacionamento é menos vulnerável a surpresas desagradáveis. Pode ser, mas acho que nem sempre.

Na hora me vieram à mente dois episódios. O primeiro deles já faz 22 anos. Parava meu primeiro carrinho, um Fiat Uno CS 1986 (o ano do fato era 1992) comprado guardando cada centavo de um ano de trabalho, em um estacionamento a duas quadras do jornal em que trabalhava. Ia ao lançamento do livro “As Fêmeas”, do Marcelo Rubens Paiva, à noite. Cheguei para pegar o carro, ao que o manobrista me disse: “Ah, seu irmão passou aqui e levou o carro para polir”.

Opa, como assim? Que horas foi isso? “Ah, à tarde.” E não devolveu até agora (eram 19h30, mais ou menos)? Ah, nem sei por que estava perguntando essas coisas. Afinal, eu nem tenho irmão! Do alto de seu poder de dedução, o manobrista disse: “Ih, acho que roubaram seu carro...”. Não tinha seguro. De qualquer forma, foi recuperado uma semana depois, sem o som, mas em um estado mais ou menos aceitável. Logo depois vendi.

O segundo episódio é mais recente e grave. Não aconteceu comigo e nem faz tanto tempo – foi em novembro de 2011. Uma médica, que trabalhava em Higienópolis, deixou o carro em um estacionamento na avenida Angélica e foi a seu plantão (portanto ficaria um bom tempo por lá...). O manobrista então decidiu fazer um “agrado” a dois amigos e emprestou o Kia Carens da médica para que os dois fossem a uma festa em Caieiras (Grande São Paulo), no sábado à noite.

Acontece que, depois de uma manobra proibida de entrar na contramão da avenida Raimundo Pereira de Magalhães, o carro da médica bateu de frente com um Palio que seguia pelo sentido correto. Dois dos ocupantes do Fiat morreram na hora. Uma história trágica, mas da qual sempre me lembro quando um estacionamento exige que se deixe a chave, ainda que haja uma vaga que não vá atrapalhar a saída de outro veículo.

Evito deixar o carro em estacionamento que pede a chave. Quando o faço, pode parecer neurose, mas fotografo a quilometragem e o estepe (este por conta de furto ou troca). Não acho que estacionamento seja o local mais seguro para guardar um carro. E faço como o Pincigher: cuido do carro como se fosse meu, o que pode significar deixar na rua mesmo.

Explico: uma vez fui a um bar na rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), com um Audi Q7. Diante das opções oferecidas – estacionamento distante ou valet –, achei melhor para na rua mesmo. Não na Cardeal, mas na Joaquim Antunes, uma perpendicular, mais tranquila. Tenho em mente que os carros que são furtados por estar na rua são veículos mais básicos, como Volkswagen Gol, Fiat Palio e Ford Fiesta. Pouco provável que tentem forçar a porta de um Audi Q7 ou de um Mercedes-Benz C 180 para levar o carro ou o som (som???). O hábito já me rendeu muitas insinuações de que eu seria pão-duro. Mas, em alguns casos, acredito que parar na rua é muito melhor do que com um manobrista.

Que o diga Fabiana Paladino, que cuida da frota da General Motors – e aí vou me lembrar de uma terceira história, também não tão nova. Foi em 2002. Estava com uma Chevrolet Zafira de teste. Fui ao Piratininga Bar, na Vila Madalena. Parei com o valet. Semanas depois chega uma multa. Motivo: estacionar sobre a calçada em uma praça ali perto. Sabia que jamais havia estacionado sobre uma calçada. Olhei na agenda. Pelo dia, descobri aonde havia ido. Tinha a nota fiscal guardada. Falei com os manobristas. Eles admitiram o que haviam feito. A GM conseguiu receber. Mas, mesmo com todas as provas, foi uma senhora canseira.

Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva

Por: Luís Perez às 19h32

Grupo Máquina assume conta da BMW

O grupo Máquina PR informa que assumiu a conta de comunicação com a imprensa do BMW Group Brasil, que inclui as marcas BMW, Mini e BMW Motorrad (divisão de motocicletas). Segundo comunicado, a agência será responsável pela gestão e pela execução de ações de relacionamento com a imprensa da fabricante alemã. Entre suas próximas responsabilidades, está a inauguração da fábrica de Araquari (SC) e o lançamento de diversos novos produtos.

Por: Luís Perez às 16h16

BMW dispensa agência que atendia a imprensa

A Visar, que realizava o atendimento à imprensa da BMW havia pelo menos cinco anos, não está mais com a empresa alemã no Brasil, que abriu concorrência para a escolha de uma nova agência – a vencedora deve ser anunciada em breve. Vale ressaltar que a Visar prestava um ótimo atendimento (e esperamos que a próxima mantenha o nível). Infelizmente o ciclo entre as duas empresas terminou.
 
É primordial um atendimento de qualidade sobretudo agora, que o BMW Group Brasil terá uma fábrica de automóveis no Brasil – até o final deste ano, modelos BMW e Mini fabricados em Araquari, norte de Santa Catarina, já circularão pelas ruas do país. A capacidade de produção será de 32 mil veículos por ano.

Por: Luís Perez às 11h51

Lição de como não tratar jornalistas

Hyundai Brasil apresenta série especial, leva três dias para disparar informações e diz que o critério para convidar "não está aberto a discussão"

Considero os últimos dias históricos. Sim, porque nunca havia verificado por escrito um caso de deselegância mais gritante do que o protagonizado pela Hyundai Motor Brasil, na figura de seu gerente sênior de Relações Públicas e Imprensa, Mauricio Jordão.

Já afirmei neste espaço que a forma como uma determinada empresa trata a imprensa, que é uma das principais pontes entre ela e seu consumidor, diz muito sobre sua índole e a forma como o considera. Isto posto, tenho motivos de sobra para manifestar um descontentamento extremo com a Hyundai Motor Brasil.

A Hyundai Motor Brasil organizou, na última sexta, dia 14, um evento no Museu do Futebol, que fica no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Havia enviado a alguns órgãos de imprensa um convite que não deixava claro se tratar da apresentação de um produto – no caso, o HB20 Edição Copa do Mundo Fifa. Monitorando a internet ao longo do dia, começo a me deparar com informações detalhadas, com direito a preço de cada versão, bem como fotos, em alguns sites.

À noite escrevo para a assessoria de imprensa da marca e a Edelman Significa, que lhe dá apoio, para questionar se havia sido feita alguma divulgação. Como era muito tarde, não houve resposta. Soube então da apresentação por alguns colegas. Ela havia sido realizada, mas, ao contrário do que acontece com as áreas de imprensa profissionais, que trabalham sério, nenhum release foi disparado durante ou logo após a apresentação. Isso só seria feito na segunda, dia 17, período um tanto longo sobretudo em se tratando de internet. Três dias depois já seria notícia velha.

Diante de dois e-mails enviados por mim, na segunda recebo a resposta de Jordão, que faço questão de reproduzir aqui:

“A Hyundai Motor Brasil segue com sua estratégia de apresentar primeiro para um pequeno grupo de veículos de imprensa e depois distribuir o material em escala nacional.

A composição desses grupos varia conforme o assunto a ser apresentado. No caso específico do evento da última sexta-feira, contamos com a participação de certos veículos de imprensa dedicados ao Marketing, além da imprensa automotiva.

O critério de seleção dos convidados faz parte dessa estratégia e não está aberto para discussão”.

Interpreto esse boçal “não está aberto para discussão” como um “fazemos o que e como quisermos e não aceitamos a opinião de ninguém”. Nem para dar uma reposta mais diplomática, como “Sim, desculpe, deveríamos ter divulgado o material na sexta-feira”, “Podemos avaliar se não ficaram de fora veículos representativos” ou “Vamos levar em conta seu feedback para outras ocasiões”. Diversos veículos ficaram de fora, não tiveram informação, levaram bola nas costas e o descontentamento foi generalizado.

Infelizmente o HB20 é um assunto relevante. Sempre que é citado, a audiência cresce. O carro foi o mais buscado no Google no último ano e continua nas primeiras posições. Meu objetivo não era pleitear um lugar no evento, até porque não está entre os sonhos da minha vida conseguir um ingresso grátis para visitar o Museu do Futebol, que aliás já conheço.

Apenas acho que três dias é muito tempo a esperar para publicar novidades sobre um automóvel, por mais incautos sejam os que o compram, em razão de o produto estar aquém do que o consumidor brasileiro merece.

Em contato telefônico com Thais Nunes, da Edelman Significa, soube que decidiram não disparar as informações em respeito a veículos que tinham voo de volta a suas cidades no mesmo dia. “Mas internet muitas vezes publica as novidades praticamente em tempo real, quando a apresentação acontece”, ponderei. Ela: “Ah, mas tem os impressos...”.

Bem, a meu ver, tudo isso são peanuts. O cerne da questão é que começa a ser revelador de uma filosofia nada cordial para com a imprensa uma empresa que disponibiliza carros de teste apenas a 150 quilômetros da capital paulista (na linha do “Se quiser, é assim”...). E termina com um “o critério (...) não está aberto a discussão”. Será que é uma orientação da cúpula da empresa? Onde mesmo fica sua sede? Ah, acho que na Coreia do Norte...

Publicado originariametne no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva

Por: Luís Perez às 15h02

Pagamento condicionado à publicação

Vida de frila tem diversas vantagens, mas se existe um senão é o pagamento só após publicado texto

Fenômeno do jornalismo contemporâneo, o profissional free-lancer leva uma série de vantagens em relação aos que prestam serviço como contratados em regime de CLT de uma empresa. São donos de seu próprio nariz, se perdem um cliente aqui, ganham outro ali, podem trabalhar a distância ou mesmo de casa, entre outras.

Embora edite o site Carpress e tenha feito outros trabalhos como contratado, nunca larguei a vida de frila. Simplesmente não consigo, mesmo quando o site atravessa boas fases comerciais que permitiram viver exclusivamente dele. E hoje contei. Da minha cama ao escritório de casa, são 25 passos. Talvez o trabalho se revelasse um martírio, não fosse a grande quantidade de reportagens nas ruas e viagens.

Já pensei em montar escritório externo. Custos altíssimos, trânsito e longos períodos de ausência (pelos tais trabalhos na rua ou fora de São Paulo) me fizeram abortar a ideia. Tempos atrás cheguei a fazer uma permuta com o jornal Destak, com o qual Carpress tinha um acordo editorial. Teria direito a duas estações de trabalho, com computador e telefone. Quase não ia. Estacionar na avenida Brigadeiro Faria Lima, onde fica o jornal, custava R$ 400 mensais, fora todo o resto.

Mas, trabalhando em casa, como fazer com os colaboradores? Simples: como eu, eles também podem trabalhar de qualquer lugar com um computador conectado à internet. Em novembro viajei a passeio para Nova York e deixei um colaborador tocando o dia a dia do site. Uma vez nos Estados Unidos, comprei um chip 4G para o celular e tinha acesso, em qualquer lugar, à internet.

O colaborador me avisava por Facebook ou Whatsapp quando um texto estava pronto. Do telefone mesmo, durante um passeio pelo Central Park ou de dentro do museu Madame Tussauds, eu conferia, editava se fosse preciso e por fim publicava. Essa mesma agilidade a gente tem para tocar os frilas ou fazer qualquer verificação que o editor peça.

Você dirá então que a vida de frila é uma maravilha... Mais ou menos. Fora a imponderável inconstância nos trabalhos, ainda existe uma praga que assola boa parte dos que vivem de colaborações diversas: o pagamento condicionado à publicação. Ora, se eu trabalhei, entreguei o texto e depois a reportagem caiu, não é problema meu.

Nisso a Editora Abril é exemplar. Diversos frilas que fiz para a revista Quatro Rodas foram remunerados, mesmo com a reportagem caindo – porque entrou anúncio, diminuiu o número de páginas, a reportagem não era o que o editor esperava (não por responsabilidade do repórter), entre outros motivos. No entanto, muitos veículos ainda perguntam, antes de pagar: “Sua matéria foi publicada?” Sinceramente, isso não me interessa. Da mesma forma, costumo brincar com um ou outro entrevistado, que pergunta quando a reportagem será publicada, que não sei, mas vou verificar e lhe informo. Sou pago para fazer, não para publicar a matéria.

Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automoativa

Por: Luís Perez às 11h53

Sobre o autor

Luís Perez é jornalista formado pela PUC-SP. Estudou também história na USP e marketing na ESPM. Trabalhou por 13 anos no jornal Folha de S.Paulo, onde exerceu diversas funções, nos últimos tempos a de editor de Veículos. Colabora com diversos veículos de imprensa, como revistas Quatro Rodas, Car and Driver e Jornauto, além do jornal Agora SP. É colunista do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, dirigido a 1.200 profissionais do setor. Lançou e editou o jornal Prime Autos, primeiro veículo gratuito especializado em automóveis, e foi editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Criou, dirige e edita o site Carpress desde 2006 e o site Mazarine desde 2013.

Sobre o blog

Este blog se propõe a trazer ao leitor informações rápidas e, sempre que possível, exclusivas a respeito do mundo motorizado. Vale lembrar que, mais do que produto e economia, o tema automóveis mexe com questões de fundo social, cultural, emocional e interfere de forma decisiva em nosso cotidiano.

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