Pedestres e ciclistas não são "os" anjinhos do trânsito
Não são necessariamente anjos os pedestres e ciclistas que travam uma verdadeira guerrilha urbana contra os motoristas no trânsito das grandes cidades. No fundo, falta educação a todos os envolvidos. Boa parte dessa carência poderia ser amenizada por um mínimo de bom senso. Contudo não é o que acontece.
Por razões profissionais, ando muito mais protegido pela armadura de aço que é o automóvel do que a pé (se bem que neste fim de semana andei pela avenida Paulista e me senti no Primeiro Mundo). De bicicleta, então, só quando estou em algum país da Europa (em Paris elas dividem a mesma faixa com ônibus e táxis e têm permissão de trafegar na contramão em ruas menos movimentadas).
Em São Paulo tenho medo. Assim como tenho medo de andar de moto, ainda que enfrente esse perigo de vez em quando. Não foram poucas as vezes em que quase sofri acidente grave num veículo de duas rodas, seja quase atingido por outro veículo (carro ou moto), seja quase virando alvo de um objeto não identificado (um pedaço de outro veículo malconservado que se desprende numa via mais rápida e vem em sua direção).
Protegido pela tal armadura, já fui fechado por um ciclista a ponto de quase bater nele. Sim, ele iria levar a pior. Mas como ficaria minha vida? Seria processado, sem falar no drama de consciência. Hoje um pedestre atravessava, longe de qualquer faixa de pedestre, uma via de alta complexidade em São Paulo, que é a avenida Rebouças (zona oeste). Seria fácil vítima de um atropelamento, mesmo de um motorista cuidadoso.

Acidentes lamentáveis envolvendo motociclistas
Minha irmã já atropelou uma pedestre que saiu deliberadamente de trás de um ônibus e, sem notar o fluxo de carros, surgiu do nada à sua frente. Subiu pelo capô, arrebentou o para-brisa, mas felizmente nada mais grave aconteceu com nenhuma das duas. E quantos atropelamentos não ocorrem em vias cujo trânsito de carros está parado, o pedestre atravessa no meio dos carros sem notar que as motos vêm em velocidade alucinante pelos corredores?
Só quero dizer, neste post, que nem sempre os demonizados motoristas, vilões contra os fracos e oprimidos pedestres e ciclistas, são os grandes culpados de uma história trágica. Tudo bem que o mais forte precisa zelar pelo mais fraco – o caminhão pelo carro, o carro pela moto, a moto e o carro pelo ciclista e todos pelo pedestre. Só que, note, não faltam exemplos de pedestres e ciclistas que abusam demais da sorte. E, além de ceifar sua própria vida e destruir sua família, aniquila o futuro de quem vai carregar uma culpa por um ato terrível, ainda que involuntário, para sempre.
Por: Luís Perez às 20h35
Não era para ser assim
Nunca uma ficha demorou tanto tempo a cair. E até agora custo a acreditar. Eduardo Hiroshi, amigo meu e de muitos outros colegas (de toda a imprensa automotiva, diria), decidiu hoje colocar fim à própria vida, aos 35 anos (completaria 36 anos no próximo dia 12).
Poderia discorrer a avalanche de clichês de praxe quando uma coisa dessas acontece – impossível entender o que se passa na mente humana, ele não sabia o quão querido era, por que as coisas não foram diferentes etc. etc. etc. Sou o primeiro a me revoltar quando há idolatria em relação a quem morre. Mas Hiroshi era uma unanimidade no sentido de ser alguém amável, gentil, solícito (a não ser quando estava fechando e dizia "Não posso falar"), bem humorado e, como se não bastasse, competentíssimo.
Fazia o que amava – e amava trabalhar com automóveis. Por outro lado, parecia infeliz. Externava isso nas redes sociais, mas confesso que sempre tive dúvidas de onde terminava o personagem e começava o ser humano. Alimentava folclores sobre si mesmo (que o diga quem tinha medo das grandes tragédias que insistiam em acontecer durante seus plantões) e, talvez até por isso, jogou uma cortina de fumaça que não nos deixava ver até que ponto ele seria capaz fazer o que fez. Há muitos anos falava na "grande mudança". Cansei de perguntar a ele o que seria isso, mas nunca ouvi uma resposta convincente. Fica um certo remorso de não tê-lo ajudado a não tomar essa atitude de hoje.
Eduardo Hiroshi (1977-2013)
Há dez anos, quando ele entrou no Agora SP, eu estava saindo da Folha de S.Paulo (os dois jornais do grupo Folha). Apesar do aparente desencontro, nos tornamos amigos. Certo dia ele me confidenciou que, dado o meu jeito meio incisivo de lidar com certas questões profissionais, o haviam alertado a "tomar cuidado" comigo. Emendou em seguida que, apesar disso, com a convivência, eu havia sido um dos amigos mais próximos que ele fez no setor. Sim, até porque era impossível não ser amigo dele.
Fica o sentimento que enraivece de que deveríamos ter ido mais vezes ao Nandemoyá, restaurante japonês da Liberdade, que ele me apresentou. De que poderia tê-lo feito "trabalhar" mais como fotógrafo, como fizemos quando a pequena Júlia foi batizada. De que deveríamos ter conversado mais, convivido mais... Fica a certeza de que, se continuasse conosco, ele teria muito, muito mais a contribuir para este mundo que ele deixou hoje.
Como eu disse, a ficha não caiu. Fica o inconformismo de que não era para ser assim e a tristeza da partida de um amigo, que, longe de mensagens mirabolantes, foi tão singela e verdadeiramente definida por José Saramago: a tristeza por antes estar aqui e agora não estar mais.
Por: Luís Perez às 18h18
Embargos de domingo pela manhã
O que era para ser um acordo de cavalheiros se tornou uma imposição; será que isso é certo?
Não fui eu quem inventou o embargo. E não tiro totalmente a razão de quem se incomoda com ele. Afinal, em se tendo uma informação nas mãos, por que não divulgá-la o mais rápido possível, se afinal seu maior cliente é sua excelência, o leitor? Simples: nos meios mais especializados, você vai, mais dia, menos dia, rever a fonte que contrariou. Não raro haverá retaliações, que podem ser muito mais prejudiciais do que esperar uns dias a mais para publicar uma informação.
Li outro dia uma entrevista com o apresentador Serginho Groisman, comentando o formato de seus programas de TV (desde o “Matéria Prima”, na Cultura), em que adolescentes fazem perguntas a personalidades. Como não são jornalistas, não têm medo de perder a fonte ou, pior, o emprego. Acho uma boa medida, até porque é algo espontâneo, quase ingênuo muitas vezes.
No passado já fui radical em relação a embargos, achando que eles não deveriam ser obedecidos. Achava-os particularmente dramáticos quando trabalhava com educação e tinha em mãos a lista de aprovados em um vestibular e milhares de jovens ávidos por saber se seus nomes estavam ou não ali.
Hoje acho que embargo é (ou deveria ser) um acordo profissional (“de cavalheiros”, diriam alguns) que permite ao jornalista preparar o material a ser publicado com mais esmero. Sim, porque revistas conhecem os carros antes dos jornais, que os conhecem antes da internet (exceto nos casos em que veículos de internet tenham por trás uma revista impressa).
Restam, por fim, quase sempre na fogueira, os veículos exclusivamente de internet. Como se eles não tivessem compromisso com a qualidade, com a edição e a confecção de álbuns de foto, de filmagens (e sua edição, que é cara e demorada) e, acima de tudo, com a apuração realizada de forma esmerada. Quando algum iluminado acordar com os veículos de internet de apresentar um veículo junto com as revistas, os leitores que não os de pergaminhos (pois, enquanto existir leitores, eles também existirão...), e sim os de sites confiáveis, agradecerão.
No entanto, o que acontece hoje em muitos casos é um desrespeito profissional, calcado na subserviência a que muitos (e infelizmente muitos deles bastante jovens) nem atentaram. Embargos, que deveriam ser acordados (sim, que tal pegar o telefone e ligar para mais de uma centena de veículos, dizendo: “Tenho aqui um lançamento, mas só lhe envio as informações se você não publicar nada sobre o assunto” e aceita quem quer?), em vez disso estão sendo impostos. Diversas marcas embargam a começar pelo convite – não se permite nem contar ao leitor que vem aí um lançamento que pode lhes interessar.
Outro dia, por exemplo, houve um embargo de evento realizado no fim de semana (outra modinha de nossos tempos modernos...) que, “para os meios eletrônicos” era em um domingo, às 10h, sendo que desde os anos 90 todos os jornais (que tiveram direito a uma prévia, assim como um punhado de sites) chegam às bancas no sábado à tarde (e nesse exemplo específico já teriam tornado pública a informação).
Sim, ainda que com tudo nas mãos, há uma dependência tão arraigada que a fonte se vê no direito de dizer em que dia, hora, minuto e segundo exatos um veículo pode ou não publicar uma informação – e a maioria segue a determinação, quase que como em um movimento muito citado por ocasião da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), tecnicamente chamado de “efeito manada”.
Em nome da boa convivência com muitos, fruto da especialização e da convicção de que não vale a pena comprar algumas brigas (outro sintoma de uma certa idade...), posso evitar os conflitos. Mas acho impossível não trazer, enfim, à discussão, de forma genérica, sem personalizar, esse assunto que incomoda muito. Caso contrário, melhor mesmo é rasgar o diploma de jornalista e enviar a carteira de trabalho para que minha fonte a assine logo de uma vez. Afinal, é a serviço dela que eu estou quando concordo em publicar uma informação só e apenas só quando não for prejudicar os estoques de um determinado veículo nas concessionárias.
Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva
Por: Luís Perez às 19h44
Os problemas do New Fiesta
Em contato telefônico, a assessoria da Ford esclareceu que os problemas de acabamento relatados na avaliação de Carpress – excesso de rebarbas sob o painel, por exemplo (leia aqui) – deve-se ao fato de que os veículos que foram usados no test-drive no evento de lançamento, em Foz do Iguaçu (PR) ainda eram pré-série. Ou seja, uma primeira fornada que saiu da linha de montagem em São Bernardo do Campo (SP).
Sabe-se que, por mais evoluídos que estejam os processos de produção de um veículo, as primeiras unidades têm sempre ajustes a fazer. As unidades que chegam às concessionárias, teoricamente, não padecerão das mesmas mazelas. A conferir.
New Fiestas utilizados no test-drive de lançamento: pré-série
De nossa parte, esperamos apenas que o veículo venha para avaliação em um prazo menor do que os seis meses que demoraram no caso do New Fiesta que vinha do México (aqui).
Por: Luís Perez às 11h28
Fome zero
Eventos obrigam jornalistas automotivos a prolongados jejuns forçados e tempo demais nos traslados para de menos em contato com os lançamentos
Assim como ainda peguei os últimos momentos das máquinas de escrever, também vivenciei o tempo de um jornalismo romântico em que um ou outro profissional de imprensa dizia: "Ah, repórter não almoça". Sim, a busca pelo furo jornalístico podia incluir horas a fio de jejum involuntário. Ainda pode. Mas só quando é o caso. Hoje se sabe que faz mal deixar de comer por um período prolongado e que ideal é se alimentar a cada três horas.
Em tempo de serviço de bordo pífio, não têm sido raros os relatos de jornalistas automotivos que chegam a um evento simplesmente varados de fome. Não é difícil imaginar a situação. Suponhamos que o jornalista more em São Paulo. O voo sai às 11h e dura suas duas horas e meia. Contando o atraso, o desembarque do grupo e o traslado (às vezes até para um lugar mais distante, caso de boa parte dos eventos em paradisíacas praias do Nordeste), chega-se ao hotel por volta das 17h.
Foram mais de seis horas (conte que ele saiu de casa e ainda vai fazer check-in e despejar as malas no quarto) e só agora ele pode comer alguma coisa a mais do que o sanduíche frio ou o terrível "mix nuts" da TAM ou o lanche pago da Gol (lembrando que só a água é grátis e apenas para quem pede). OK, vai do jornalista comer um ou outro lanche nas salas de embarque da vida.
Mas sabe duas constantes nessa vida que muitos colegas de outras áreas julgam mansa? 1) Invariavelmente o jornalista passa muito mais tempo nos meios de transporte até chegar ao local do evento (sim, é o lado "vida de gado" do setor...) do que tendo contato com o automóvel que está sendo lançado (ainda há test-drives tão parcos quanto o sanduíche do avião, sobretudo quando é necessário dividir o volante com outras duas pessoas) e 2) Não é pouco o que os fabricantes investem em um evento de lançamento para o jornalista chegar ao quarto e encontrar o frigobar propositadamente esvaziado. Ou seja, aquele jornalista custou alguns milhares de reais para a marca e, quando chega ao quarto, nem a opção de pagar por algo que mate sua fome naquelas duas ou três horas até a hora do jantar ele tem.
Há exceções que, aliás, só confirmam a regra. Uma fabricante coloca na ponta do lápis o quanto gastaria se todos os jornalistas simplesmente comessem e bebessem tudo o que há no frigobar. E colocam aquele total na conta final. "Ah, tem muita gente que 'limpa' o frigobar", disseram-me. Mas, de novo: são exceções. Outra coisa: não quer ter esse custo? Deixe claro o que será cobrado e cobre. Mas gastar uma quantia substancial em um evento e esvaziar o frigobar é demais.
Exemplifiquei com um jornalista que viaja a partir de São Paulo, passagem quase obrigatória para quem é do Norte-Nordeste para o Sul e vice-versa. Mas o jejum obrigatório e prolongado (ou a privação de uma refeição decente) é ainda mais dramático para quem mora nesses extremos do país. Há quem saia de casa às 4h ou 5h da madrugada e só veja um prato de comida decente, na melhor das hipóteses, às 19h ou 20h. Ninguém merece...
Bem, vou parando por aqui porque essa conversa toda me deu fome.
Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva
Por: Luís Perez às 17h40
Como se atende um (candidato a) futuro cliente
Outro dia Carpress publicou uma nota relatando a experiência deste repórter na concessionária Caltabiano, da Mercedes-Benz. Resumidamente, não é que eu tenha sido mal atendido. Fato é que simplesmente não fui atendido (ou fui inadequadamente). A recepcionista apontou um vendedor que nem de Mercedes-Benz era (meu suposto interesse era em um novo Classe A; o vendedor designado era da marca smart). O resto da história está relatado na nota que você pode ler aqui.
Hoje decidi prosseguir com meu laboratório. Então, antes de sair de casa, para não perder a viagem (é domingo), liguei para a autorizada Comark, dos Jardins. Fui logo atendido pelo vendedor que se identificou como Rodrigo. O atendimento foi diametralmente oposto, a saber:
1 – Perguntei até que horas ficavam abertos. Eram 13h40. Rodrigo disse que o horário de fechamento era 14h. Mas ainda assim tentou me convencer a ir: “Você está muito longe?” Respondi que não, mas até chegar seria muito em cima. Decidi então fazer perguntas por telefone mesmo.
2 – Perguntei se havia Classe A a pronta entrega. Ele disse que não, que quem está recebendo ainda neste mês foi quem já havia feito antecipadamente a reserva. Quem a fizesse agora, receberia o carro em quatro ou cinco meses. E se mostrou disposto a anotar meus dados. Agradeci e disse que queria obter outras informações.
3 – Perguntei qual era o sentido de vender um Classe A top a R$ 110 mil se com mais R$ 13.704,40 era possível adquirir um modelo C 180 Turbo Sport, que está sendo oferecido todos os finais de semana em anúncios na revista "Veja SP". Acrescentei uma questão sobre como ficaria o Classe B nessa equação. Rodrigo: "São três carros com propostas totalmente distintas". Perguntou se eu tinha filhos – respondi que tenho uma, de cinco anos. “Pois é. Talvez o Classe A não o atenda tão bem quanto o B ou o C. O B é uma carro mais familiar, enquanto o C é um sedã". Deu uma pequena aula sobre diferenças entre segmentos, indo além da questão dos preços.
4 – Como o Classe A vai demorar e o B, para mim, é "carro de mãe", mostrei-me interessado no Classe C da promoção – entrada de R$ 73.140, mais 30 parcelas fixas de R$ 1.685,48. Comecei perguntando que cores havia. "Todas!", ele respondeu de pronto. Poderei: "Ah, mas hoje é domingo e vocês não têm um avaliador para o meu usado, um smart fortwo 2010". Sem pestanejar, ele perguntou mais detalhes, como cor, quilometragem etc. e, na lata, respondeu: "Vamos pagar cerca de R$ 32 mil pelo seu carro na troca", deixando claro que não era nenhum compromisso e sim uma avaliação informal. O normal, nesses casos, é a gente não ter nenhuma avalição, pois ninguém quer se comprometer.Anúncio do Mercedes-Benz C 180 Turbo Sport na "Veja SP"
5 – Questionei ainda sobre valores de IPVA, seguro e quanto saía o licenciamento na própria concessionária. Rodrigo respondeu ponto a ponto, rapidamente, sem se esquivar, com estimativas. Sério, por mais que fosse um repórter fazendo as vezes de um consumidor interessado (e um smart eu tenho mesmo...), deu muita vontade de fechar a compra do Classe C, não fosse pelo detalhe de que falta din-din em minha conta bancária. Ainda que por telefone, fiquei com a impressão de que é assim que se atende um cliente.
Pelo visto, os vendedores da Caltabiano deveriam ter umas aulinhas com os da Comark...
Por: Luís Perez às 20h14
Táxi é vantagem para quem roda no máximo 16 km por dia
Quem tem um carro de R$ 30 mil e roda até 16 quilômetros por dia em São Paulo gastaria menos se andasse de táxi. O economista Samy Dana fez as contas para o telejornal "Bom Dia Brasi" e mostrou que, para quem roda até 15 quilômetros por dia, as despesas com um carro de R$ 30 mil são de R$ 17.920 por ano, contra R$ 16.882 do táxi.
Para quem roda 16 quilômetros por dia, a conta quase empata, mas a vantagem ainda é do táxi – os custos com o carro saem por R$ 18 mil, contra R$ 17.806 do táxi. Só a partir de 17 quilômetros por dia a vantagem é do carro – R$ 18.079, contra R$ 18.729 do táxi.
Os custos considerados na conta foram os de combustível, manutenção, impostos, seguro, estacionamento e o chamado custo de oportunidade – o que o proprietário deixa de ganhar porque o dinheiro não está aplicado, além da depreciação do veículo.
Vale lembrar que a média anual de rodagem de um automóvel no Brasil fica entre 15 mil e 20 mil quilômetros (41 a 55 quilômetros por dia, em média). Ou seja, ainda são raros os casos em que o táxi vale mais a pena.
Por: Luís Perez às 11h19
Imagine se fosse o fim da imprensa automotiva
De repente nós acordamos e não existe mais imprensa automotiva. Revistas, suplementos, sites, programas de TV e toda sorte de veículos de comunicação que cobram o dia a dia do "setor" foram extintos. Nunca mais vamos nos encontrar no saguão do aeroporto para reclamar do excesso de eventos no fim de semana, nunca mais vamos quase cochilar naquela apresentação técnica demais enquanto se está ávido para dirigir o novíssimo modelo, nunca mais vamos comentar quem se desentendeu com o chefe e saiu dessa ou daquela Redação...
Ah, as fofocas de quem está indo para onde, quem ralou (ou deu PT...) que carro... Que jornalista está saindo com outro – e suas versões jornalista-assessor, assessor-assessor. Que assessor deu vexame e partiu para o ataque à jornalista depois de uns goles a mais... Que veículo está na lista negra de qual fabricante por ter pesado a mão na crítica a um carro... Nunca mais comentar sobre aquela briga que quase levou dois assessores às vias de fato durante uma reunião da Anfavea. E saber que depois os dois foram direto para um chopinho no bar (ou não...).
Como seria terrível a vida sem a imprensa automotiva. Sem comentar quais são os picaretas que inventam veículos fictícios para curtir hotéis que nunca poderiam pagar e dirigir automóveis que nunca poderiam comprar... Que veículos encaram as viagens a convite como prêmio e enviam jornalistas que nem sequer carteira de habilitação têm... Sem ficar mais de uma hora tomando chá de cadeira para devolver ou retirar um carro... Sem comentar com os colegas as últimas estratégias que os que têm acesso às informações com antecedência lançaram mão para furar um embargo – sabendo que nada vai lhes acontecer.
Sem imprensa automotiva os lançamentos de carro mereceriam no máximo uma burocrática nota de rodapé nas editorias de economia.
E a nossa vida seria bem chata.
Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva
Por: Luís Perez às 20h25
Mudanças na Nissan do Brasil
Profissional competentíssima e com grande experiência na área corporativa da indústria automobilística, Juliana Cabrini acaba de ser nomeada gerente sênior para liderar três departamentos na Nissan do Brasil: Comunicação Corporativa (Relações com a Imprensa e Comunicação Interna), Assuntos Corporativos e Responsabilidade Social.
Com a mudança, Juliana retorna à liderança da Comunicação Corporativa, até então sob responsabilidade de Fernando Menezes, que deixou a empresa no fim de março. Marcelo Rodrigues permanece à frente das áreas de Comunicação Interna e Relações com a Imprensa, coordenadas por Mila Poli e Alexandre Carvalho, respectivamente, e Celso Estrella como gerente de Responsabilidade Social.Juliana Cabrini: Comunicação, Assuntos Corporativos e Responsabilidade Social
Jornalista de formação, Juliana entrou na Nissan em 2005 como supervisora de Comunicação Corporativa. Antes disso passou por outras fabricantes, como Citroën do Brasil, além de ter atuado na área de aviação, como assessora de imprensa da Gol.
Por: Luís Perez às 14h54
Que tal Voyage e Saveiro "de costas"?
Nesta semana a Volkswagen, que completou 60 anos no sábado, convocou a imprensa especializada para ir a Curitiba – uma de suas fábricas fica em São José dos Pinhais (PR), região metropolitana da capital paranaense – para a apresentação de sua linha 2014.
Oficialmente a maior parte das mudanças diz respeito aos modelos Fox e CrossFox, justamente os produzidos na fábrica do Paraná. Mas, nos bastidores, é sabido que outra apresentação esperada é a da nova dianteira da Saveiro, que ficará com a "cara" do novo Gol (o conhecido "family face" da Volks).
Foto comemorativa das 10 milhões de unidades da família Gol
Nesta segunda (25), a marca divulgou uma foto em que comemora a marca de 10 milhões de unidades da "família Gol", composta justamente de Gol, Voyage, Saveiro e Parati. A Parati já não aparece na foto, pois deixou de ser produzida. Os demais modelos aparecem de frente.
Se eu tivesse podido sugerir, acharia mais interessante posicionar os modelos Voyage e Saveiro "de costas". Ou seja, mostraria o Voyage com o que mais importa (o porta-malas saliente), pois de frente ele é igual ao Gol, e a Saveiro sem a parte que mais interessa para os espiões de plantão (a nova frente).
Por: Luís Perez às 12h30
Sobre o autor
Luís Perez é jornalista formado pela PUC-SP. Estudou também história na USP e marketing na ESPM. Trabalhou por 13 anos no jornal Folha de S.Paulo, onde exerceu diversas funções, entre elas a de editor de Veículos. Colabora com diversos veículos de imprensa, como revistas Quatro Rodas, Carro Hoje, Motor Quatro, jornais Diário de S.Paulo (onde é responsável pela cobertura de caminhões) e Jornauto. É editor do jornal Prime Autos, veículo gratuito especializado em automóveis, e colunista do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, dirigido a 1.200 profissionais do setor. Foi editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Criou, dirige e edita o site Carpress desde 2006.
Sobre o blog
Este blog se propõe a trazer ao leitor informações rápidas e, sempre que possível, exclusivas a respeito do mundo motorizado. Vale lembrar que, mais do que produto e economia, o tema automóveis mexe com questões de fundo social, cultural, emocional e interfere de forma decisiva em nosso cotidiano.







