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São Paulo, o salão mais caro do mundo

Não vou dizer que senti vergonha alheia, porque a vergonha foi própria.

Mas hoje o presidente do Mondial de L’Automobile, o famoso Salão de Paris, Thierry Hesse, esteve conversando com jornalistas brasileiros para falar das expectativas da exposição, que acontece entre setembro e outubro (leia aqui).

Foi até com certo pudor que ele admitiu que o preço do ingresso aumentou. Sim, para entrar na mostra bienal, nas duas edições anteriores (2008 e 2010), um adulto precisava desembolsar 12 euros (equivalente a R$ 30,50).

“Em 2010 o preço não foi aumentado, pois ainda estávamos sob o efeito da crise econômica”, disse. “Mas agora o ingresso ficou 1 euro mais caro.” Isso, subiu para o equivalente a R$ 33!

Então ele mesmo emendou que é mais barato do que entrar no Salão de São Paulo – R$ 40 no lote promocional e R$ 50 no preço regular. Comento com um colega jornalista que costuma cobrir salões internacionais, que crava: o ingresso da mostra paulistana é o mais caro do mundo.

Aí eu me lembro do quão tenebroso e caro é estacionar no Anhembi, do quanto demoram os ônibus colocados entre o metrô Tietê e o pavilhão, do quanto faz calor naquele lugar, sem falar da paisagem horrorosa do rio.

Todos os anos crio caso para estacionar. Ou porque o leão de chácara não aceita carro de reportagem adesivado, só logotipado (ora, o logotipo não pode ser adesivo?) ou porque ninguém sabe onde se deve estacionar.

Com alguma boa vontade, a assessoria de imprensa da organização do Salão de São Paulo diz que a confusão ocorre porque as vagas pertencem ao Anhembi e não à organização da feira.

Credencial do Salão de Paris chega ao Brasil pelo correio

Enquanto isso, recebo pelo correio, direto de Paris, credencial que inclui passe de estacionamento. Sendo que nem precisava – na capital francesa, é muito mais fácil ir ao salão de metrô ou bicicleta.

Franceses são conhecidos pelo mau humor. Bufam. Maldizem a burocracia francesa. Precisam fazer estágio no Brasil.

Por: Luís Perez às 16h49

Ford adia (um pouco) seus lançamentos

A Ford teve de postergar seu dois próximos (e importantes) lançamentos.

Em vez de mostrar a nova Ranger no dia 23 de maio, o evento foi adiado para entre 29 de maio e 1º de junho. O local segue o mesmo: o mais novo destino turístico argentino da moda, a cidade de Salta, no norte do país vizinho.

O EcoSport, que seria mostrado em meados de junho, foi para o final do mês. O destino praiano também ficou inalterado: Natal (RN).


Novo EcoSport (no alto) e Ranger (acima): postergados

Por mais que se especule que as mudanças podem ter sido motivadas pela troca de presidente – sai Marcos de Oliveira, que pediu para se aposentar, e entra Steven Armstrong –, os atrasos se deram por razões bem mais prosaicas: o apertado calendário da Anfavea, a associação dos fabricantes, que organiza uma ordem para os eventos de lançamento, e a falta de carros disponíveis a tempo de realizar os dois eventos.

Por: Luís Perez às 16h07

"Site no cantinho"

Como explicar o desprezo com que ainda é tratada a internet, que no Brasil já tem praticamente 80 milhões de usuários?

A coluna desta semana tem como gancho o Salão de Genebra. Portanto está aparentemente fora de timing, uma vez que faz quase dois meses que a exposição suíça começou. Mas é que estou há algumas semanas matutando acerca da melhor forma de abordar o assunto, sem melindrar os lados envolvidos.

Quando tempos atrás neste espaço abordei como diferentes marcas lidavam com o famoso jabá, muitos fizeram uma leitura de que eu estava criticando a prática. Outros entenderam que o sentido do artigo, no qual procurei não deixar nenhum juízo de valor, era simplesmente colocar uma situação que estava dada para discussão. Claro que, conforme aprendemos no curso de jornalismo, objetividade não existe. Ao escolher um tema para abordar, assim como fazem os editores ao hierarquizar notícias a publicar, coloca-se já uma dose de subjetividade.


Também refleti muito sobre como tocar na questão e decidi deixar alguns pontos claros antes de entrar no assunto – até porque, sob o ponto de vista da qualidade do texto, ter de ficar fazendo ressalvas a cada cinco palavras não é nada adequado. Então vamos a eles: 1) Sou um mero colunista (jamais dono de qualquer verdade...) e o que exponho neste espaço com toda a liberdade possível é tão-somente minha opinião; 2) Esta coluna tem como uma das principais funções propor discussões pertinentes sobre os assuntos nela tratados. Isso esclarecido, vamos ao tema da semana.

Viagens a convite para a realização de determinada cobertura são uma constante em nosso meio. Assim como é famoso o pool organizado há anos pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) para os principais salões. Mas a exposição de Genebra, uma das mais importantes do mundo, não teve pool e sim convites de algumas marcas, aqui e ali. Minha pergunta é: por que alguns veículos de comunicação recebem até três convites e outros, de comprovada importância, são simplesmente ignorados?

Vamos então a uma das poucas ressalvas que pretendo fazer: em primeiro lugar, longe de mim criticar quem recebeu três convites. Pelo contrário – o fez por mérito. Pode enviar dois repórteres especializados e um fotógrafo. Terá uma cobertura muito extensa. Aceitar de bom grado tal oportunidade é absolutamente natural. Em segundo, vale ressaltar que, como em qualquer convite (seja para jantar em casa, seja para integrar um grupo de jornalistas para realizar uma cobertura internacional), a prerrogativa de escolher os convidados é do anfitrião.

O investimento em um evento internacional não é pequeno e cada empresa tem suas estratégias, que passam também por uma política de relacionamento. Então convocar o veículo X, que já está enviando dois outros profissionais, é prerrogativa da empresa e não há mal algum nisso. Mas será que é isso mesmo ou a verdade é que falta diálogo?

Então eu chego ao ponto: como explicar, mais uma vez, o desdém dedicado aos veículos de internet? Será que foi proposital deixar de fora as editorias de veículos de portais como (em ordem alfabética) G1, iG, R7 e Terra, ou até o pioneiro WebMotors? Ah, alguns desses citados foram a Genebra por conta própria, o que é uma feliz constatação de investimento editorial combinado a boa saúde financeira.

(Nota: não estou legislando em causa própria, mas sim da plataforma internet como um todo. Embora pessoalmente edite o que se define como portal vertical, ou seja, especializado, que é o Interpress Motor, com 2 milhões de page views mensais, além de um jornal semanal gratuito de 100 mil exemplares por edição, o Prime Autos, pergunto como podem ser ignorados veículos que entram na casa de milhões diariamente, ampliando o número de pessoas informadas a respeito das novidades do salão.)

Detalhe: muitas vezes o convite a veículos para a cobertura de um salão pode ser emendada, antes ou depois, à apresentação internacional de algum produto. É um ponto que pode ser colocado para justificar a duplicidade ou triplicidade de veículos. Será que pode? De qualquer forma, só esse tema pode dar outra coluna inteira.

“São empresas privadas e têm direito de convidar quem bem entendem. Mas não entendo como podem achar mais vantajoso convocar três de um mesmo veículo em vez de estender a oportunidade de cobertura a outros meios”, opinou um jornalista ouvido pela coluna. Sabendo que sou especializado no assunto, todos os conhecidos que me abordam, na hora de procurar um automóvel para comprar, usam ou já usaram a internet (fonte instantânea e até certo ponto gratuita) como primeira ferramenta para obter informações. Dados mais recentes do Ibope NetRatings indicam que o Brasil tem 79,9 milhões de internautas.

Na última noite do evento de lançamento do Fiat Grand Siena, em Santiago (Chile), alguns jornalistas se lembravam como anos atrás certa vez um assessor de imprensa se referiu aos profissionais de internet que foram ao test-drive de um lançamento. Dando clara preferência aos veículos impressos, pediu que os profissionais de mídia eletrônica se afastassem: “Olha, site no cantinho”. Cria e entusiasta da mídia impressa, viciado até hoje em cheiro de tinta, não deixo de ficar aborrecido quando vejo que muitos ainda viram as costas para milhões de leitores/consumidores em potencial. Ou, como outro jornalista observou: “Estão simplesmente dando as costas ao presente e ao futuro”.

Publicado originariamente no Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva

Por: Luís Perez às 01h44

Sobre o autor

Luís Perez é jornalista formado pela PUC-SP. Estudou também história na USP e marketing na ESPM. Trabalhou por 13 anos no jornal Folha de S.Paulo, onde exerceu diversas funções, nos últimos tempos a de editor de Veículos. Colabora com diversos veículos de imprensa, como revistas Quatro Rodas, Car and Driver e Jornauto, além do jornal Agora SP. É colunista do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, dirigido a 1.200 profissionais do setor. Lançou e editou o jornal Prime Autos, primeiro veículo gratuito especializado em automóveis, e foi editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Criou, dirige e edita o site Carpress desde 2006 e o site Mazarine desde 2013.

Sobre o blog

Este blog se propõe a trazer ao leitor informações rápidas e, sempre que possível, exclusivas a respeito do mundo motorizado. Vale lembrar que, mais do que produto e economia, o tema automóveis mexe com questões de fundo social, cultural, emocional e interfere de forma decisiva em nosso cotidiano.

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