Design do 208 conquista aos poucos
Saí da loja de aluguel de carros em Porte Maillot, em Paris, e fiz uma coisa que adoro na cidade-luz – perder-me. Mas não achei lá muita graça. Havia andado horas sob frio e garoa fina, empurrando o carrinho da minha filha, que passava os dias comigo lá. Perdi-me no estacionamento. Quando finalmente achei o Peugeot 208 prata estacionado no quinto subsolo do prédio do Palácio do Congresso de Paris, seu design não me causou grande impacto.
Sim, carro de locadora, mesmo na França, em geral é a versão mais simples possível. E o exemplar francês comprovou tal tese. Parti e enfrentei o rush do final de tarde na capital francesa, cometendo a ousadia de contornar o caos do trânsito aos pés do Arco do Triunfo para voltar ao apartamento em que me hospedo, na Saint Germain.
Tempo de deixar as coisas (o carrinho incluído) e sair correndo. Fomos a um centro comercial em Le Chesnay. Só na hora de embora me dei conta de que o desenho do modelo nos conquista aos poucos. Os detalhes marcados, como a inscrição Peugeot discreta na grade frontal e a lanterna em forma de bumerangue, por exemplo...
Peugeot 208 que dirigi na França em centro comercial de Le Chesnay
Por dentro, outro aspecto interessante chama a atenção: não se reconhece nenhum componente que já tenha equipado qualquer carro da marca. Isso é raro nos veículos da PSA. É comum encontrar um botão igual no Peugeot 206 e no Citroën C6, por exemplo. No 208 todas as peças são novas. Apesar das vendas em alta, mesmo por lá o carro chama muito a atenção, principalmente de turistas brasileiros.
Parece ser um belo gol da Peugeot. Aguardamos ansiosamente a versão brasileira.
Confira uma galeria de fotos do modelo aqui.
Nossa avaliação você lê aqui.
Por: Luís Perez às 17h03
Peugeot Hoggar sai de linha
Em abril de 2010, o título da reportagem de Carpress já deixava claro: não seria fácil a vida da picape Hoggar, da Peugeot (Hoggar entra em briga de cachorros grandes). Agora as últimas informações dão conta de que desde maio nenhuma unidade da picape baseada no compacto 207 sai da linha de montagem do grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ).
Tião Oliveira, editor do "Jornal do Carro", informa que relatórios de produção mensal de veículos indicam que a picape continua fora de linha apesar de a versão oficial anteriormente era de que a produção havia sido paralisada para regular estoques e em seguida retomada.
Peugeot Hoggar: fim da linha
Em todo o ano passado, a Hoggar teve apenas 2.155 unidades vendidas, perdendo até para a Ford Courier (7.263), que faz "hora extra" no mercado. No pódio do segmento, estão Fiat Strada (117.412 unidades vendidas em 2012), Volkswagen Saveiro (66.436) e Chevrolet Montana (48.474).
Por: Luís Perez às 17h33
Texto a ser degustado
Colunista fala de qualidade da escrita e enumera expressões que abomina
Qualidade do texto é algo muito pouco discutido no jornalismo em geral – e o segmento automobilístico não foge à regra. Resultado da falta de leitura combinada e condições precárias de formação combinadas ao trabalho frenético de uma Redação jogam contra a ideia de produzir um artigo que, mais do que lido, possa ser “degustado” pelo leitor.
Na falta de textos cadenciados e que guardem uma boa surpresa para o final, poderíamos ficar contentes se tivéssemos simplesmente reportagens escritas em “português correto”, sem abusar de repetições, jargões, termos muitas vezes cifrados ou simplesmente períodos longos e confusos. Na dúvida, é melhor usar a velha fórmula sujeito, verbo, predicado e ponto final.
Essa coisa de fazer o “arroz com feijão”, sobretudo quando se tem anotações em abundância, é apenas uma de minhas idiossincrasias – suponho que todo redator ou editor tenha as suas. Jogar tudo o que se tem no papel (hoje, na tela do computador) para depois ordenar as ideias é uma fórmula que uso desde meus primeiros tempos de repórter. De resto, resolvi falar hoje um pouco dessas minhas (quem sabe alguém se identifica) idiossincrasias.
Em primeiro lugar, evito ao máximo começar parágrafos com artigo definido, seja singular, seja plural (“O”, “A”, “Os”, “As”). Quer coisa mais de redação de primário (“A mamãe é bonita”)? Se o leitor bate o olho no início de cada parágrafo e só vê artigo, é sinal de pobreza de vocabulário. Como driblo a situação? Começando com “Seu” ou “Sua”, invertendo a ordem da frase etc. Mas artigo, com o perdão da repetição, deve ser artigo de luxo.
Também odeio algumas expressões muito comuns – não me pergunte por quê –, a saber: “possui” (verbo associado a entidade espírita), “conta com” (o fato de um veículo ter um recurso não quer dizer que ele conte com nada...) e “utilizado” (quase sempre substituível por “usado”).
Caso sejam encontradas em um texto meu as expressões “escondido sob o capô”, “o DNA da marca” e “este motor é o estado da arte”, pode mandar me internar. E o que não dizer do “E” no início de frase? Note, pelo período anterior (que tal escrever “O que não dizer...”?), que ele é quase sempre completamente dispensável.
O “se” antes do verbo no infinitivo é outra praga. Ou seja, é algo a evitar (não a se evitar...). Muito cuidado ao usar frases conhecidas de canções famosas. Pode ser uma imensa bola dentro, da mesma forma como também pode ser um tiro pela culatra. Ou pondere sua ideia “genial” de título, pois ele possivelmente pode ter sido usado em outra ocasião (quantos veículos de cor laranja berrante não devem ter reportagens que receberam o inspirado título de “Laranja mecânica”?).
Por fim, é uma constante armadilha na área em que estamos um texto que nada mais é do que uma ficha técnica corrida. É preciso selecionar, saber hierarquizar as informações e transmitir ao leitor o que é mais importante. Caso contrário o texto jornalístico pode ser facilmente construído por qualquer pessoa que preencha um formulário pronto na internet. Felizmente estamos longe disso. Ainda.
Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva
Por: Luís Perez às 22h00
Sportage queimado vira antigo EcoSport
Gosta de automóveis? Então aprenda: na novela em que os policiais de delegacia turca falam português fluente, quando um Kia Sportage é queimado, ele vira um Ford EcoSport antigo. Pelo menos é o que se conclui ao ver a cena em que a delegada Helô (Giovanna Antonelli) é vítima de um atentado, no capítulo que foi ao ar nesta terça (15).
Note a diferença entre as laterais do Kia Sportage, modelo em que a delegada entra, a do carro queimado ao final da cena (em reprodução da TV Globo) e a do antigo EcoSport.



Você pode assistir à cena toda no site da TV Globo (aqui).
Por: Luís Perez às 21h20
Sobre o autor
Luís Perez é jornalista formado pela PUC-SP. Estudou também história na USP e marketing na ESPM. Trabalhou por 13 anos no jornal Folha de S.Paulo, onde exerceu diversas funções, entre elas a de editor de Veículos. Colabora com diversos veículos de imprensa, como revistas Quatro Rodas, Carro Hoje, Motor Quatro, jornais Diário de S.Paulo (onde é responsável pela cobertura de caminhões) e Jornauto. É editor do jornal Prime Autos, veículo gratuito especializado em automóveis, e colunista do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, dirigido a 1.200 profissionais do setor. Foi editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Criou, dirige e edita o site Carpress desde 2006.
Sobre o blog
Este blog se propõe a trazer ao leitor informações rápidas e, sempre que possível, exclusivas a respeito do mundo motorizado. Vale lembrar que, mais do que produto e economia, o tema automóveis mexe com questões de fundo social, cultural, emocional e interfere de forma decisiva em nosso cotidiano.







