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Está difícil a vida da JAC

Não está mesmo nada fácil a vida da JAC Motors Brasil. Dificuldades de financiamento no BNDES, morosidade nas licenças e equipamentos muito mais caros se comprados aqui do que se importados da Coreia do Sul estão fazendo com que a previsão de inauguração da fábrica de Camaçari (BA) passe do final deste ano para meados de 2015. Mais detalhes aqui.

Por: Luís Perez às 14h02

Segurança relativa

Nem sempre o estacionamento é o lugar mais seguro para parar um carro, de teste ou não

Dia desses a simples postagem de uma foto pelo Eduardo Pincigher no Facebook foi suficiente para iniciar uma discussão. Era a placa de um estacionamento indicando que o preço único para deixar o carro lá era de R$ 20. Em sua postagem, dizia: “E daí que o carro não é meu? Cuido como se fosse...”. Claro que ele quer dizer que um automóvel guardado na segurança de um estacionamento é menos vulnerável a surpresas desagradáveis. Pode ser, mas acho que nem sempre.

Na hora me vieram à mente dois episódios. O primeiro deles já faz 22 anos. Parava meu primeiro carrinho, um Fiat Uno CS 1986 (o ano do fato era 1992) comprado guardando cada centavo de um ano de trabalho, em um estacionamento a duas quadras do jornal em que trabalhava. Ia ao lançamento do livro “As Fêmeas”, do Marcelo Rubens Paiva, à noite. Cheguei para pegar o carro, ao que o manobrista me disse: “Ah, seu irmão passou aqui e levou o carro para polir”.

Opa, como assim? Que horas foi isso? “Ah, à tarde.” E não devolveu até agora (eram 19h30, mais ou menos)? Ah, nem sei por que estava perguntando essas coisas. Afinal, eu nem tenho irmão! Do alto de seu poder de dedução, o manobrista disse: “Ih, acho que roubaram seu carro...”. Não tinha seguro. De qualquer forma, foi recuperado uma semana depois, sem o som, mas em um estado mais ou menos aceitável. Logo depois vendi.

O segundo episódio é mais recente e grave. Não aconteceu comigo e nem faz tanto tempo – foi em novembro de 2011. Uma médica, que trabalhava em Higienópolis, deixou o carro em um estacionamento na avenida Angélica e foi a seu plantão (portanto ficaria um bom tempo por lá...). O manobrista então decidiu fazer um “agrado” a dois amigos e emprestou o Kia Carens da médica para que os dois fossem a uma festa em Caieiras (Grande São Paulo), no sábado à noite.

Acontece que, depois de uma manobra proibida de entrar na contramão da avenida Raimundo Pereira de Magalhães, o carro da médica bateu de frente com um Palio que seguia pelo sentido correto. Dois dos ocupantes do Fiat morreram na hora. Uma história trágica, mas da qual sempre me lembro quando um estacionamento exige que se deixe a chave, ainda que haja uma vaga que não vá atrapalhar a saída de outro veículo.

Evito deixar o carro em estacionamento que pede a chave. Quando o faço, pode parecer neurose, mas fotografo a quilometragem e o estepe (este por conta de furto ou troca). Não acho que estacionamento seja o local mais seguro para guardar um carro. E faço como o Pincigher: cuido do carro como se fosse meu, o que pode significar deixar na rua mesmo.

Explico: uma vez fui a um bar na rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), com um Audi Q7. Diante das opções oferecidas – estacionamento distante ou valet –, achei melhor para na rua mesmo. Não na Cardeal, mas na Joaquim Antunes, uma perpendicular, mais tranquila. Tenho em mente que os carros que são furtados por estar na rua são veículos mais básicos, como Volkswagen Gol, Fiat Palio e Ford Fiesta. Pouco provável que tentem forçar a porta de um Audi Q7 ou de um Mercedes-Benz C 180 para levar o carro ou o som (som???). O hábito já me rendeu muitas insinuações de que eu seria pão-duro. Mas, em alguns casos, acredito que parar na rua é muito melhor do que com um manobrista.

Que o diga Fabiana Paladino, que cuida da frota da General Motors – e aí vou me lembrar de uma terceira história, também não tão nova. Foi em 2002. Estava com uma Chevrolet Zafira de teste. Fui ao Piratininga Bar, na Vila Madalena. Parei com o valet. Semanas depois chega uma multa. Motivo: estacionar sobre a calçada em uma praça ali perto. Sabia que jamais havia estacionado sobre uma calçada. Olhei na agenda. Pelo dia, descobri aonde havia ido. Tinha a nota fiscal guardada. Falei com os manobristas. Eles admitiram o que haviam feito. A GM conseguiu receber. Mas, mesmo com todas as provas, foi uma senhora canseira.

Publicado originariamente no informativo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva

Por: Luís Perez às 19h32

Sobre o autor

Luís Perez é jornalista formado pela PUC-SP. Estudou também história na USP e marketing na ESPM. Trabalhou por 13 anos no jornal Folha de S.Paulo, onde exerceu diversas funções, nos últimos tempos a de editor de Veículos. Colabora com diversos veículos de imprensa, como revistas Quatro Rodas, Car and Driver e Jornauto, além do jornal Agora SP. É colunista do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, dirigido a 1.200 profissionais do setor. Lançou e editou o jornal Prime Autos, primeiro veículo gratuito especializado em automóveis, e foi editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Criou, dirige e edita o site Carpress desde 2006 e o site Mazarine desde 2013.

Sobre o blog

Este blog se propõe a trazer ao leitor informações rápidas e, sempre que possível, exclusivas a respeito do mundo motorizado. Vale lembrar que, mais do que produto e economia, o tema automóveis mexe com questões de fundo social, cultural, emocional e interfere de forma decisiva em nosso cotidiano.

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